sábado, 27 de julho de 2013

Amor é fogo que arde sem se ver (Luiz Vaz de Camões)



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade;
Mas como causar pode seu favor;
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

poema (Ney Matogrosso)


terça-feira, 23 de julho de 2013

livro: pequeno príncipe

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Meu Barquinho (Giselli Cristina)

      Quando tudo parece difícil, o medo te atingi como um vento em fúrias, e te chamar como o mar ao chocarem nas pedras.Não temas.
      Não é fácil dominar o medo,ele te cerca e te faz refém, mas a fé, e uma arma pra todas as coisas, e Deus faz o seu medo se transformar em  alegria.
      Deus está contigo e não te deixará.  E não precisa de carregar marcas, é preciso ter fé, porque as marcas mancham, e a fé permanece.


      O vento balançou,meu barco em alto mar
O medo me cercou,e quis me afogar
Mas então eu clamei,ao filho de  Davi
Ele me escutou,por isso eu estou aqui
O vento Ele acalmou,o medo repreendeu
Quando Ele ordenou,o mar obedeceu.

Não temo mais o mar,pois firme está minha fé
No meu barquinho está,Jesus de Nazaré
Se o medo me cercar,ou se o vento soprar
Seu nome eu clamarei,ele me guardará.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

De Janeiro a Janeiro (Nando Reis)

        Por toda a minha vida ouvir falar que nada é pra sempre, fui enganada, o amor é eterno.
        O amor não é só aquele fogo que faz nossas mentes congelarem, e fazerem loucuras só pra está com a pessoa amada. É tudo que faz você feliz,  que venha a tristeza, e todos os sentimentos.
        Dizem que o amor é uma doença que afeta tudo, e que não podemos fugir,pode acontecer só uma vez,
mas será pra sempre, de janeiro a janeiro.
Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, me deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar


segunda-feira, 1 de julho de 2013

O que não vi (Lohana Nenes)

já vi tudo que vi
já vi luz
já vi escuridão
já vi solidão

já vi o que queria ter visto
flores
cantigas
amores

já vi o mau
já vi o bem
já vi prisões
já vi reféns

já vi malucos
em que tudo sabe
já vi gente sã
em que tudo afasta

já vi esperança
em olhos que não vejo
já vi vitorias
já vi derrotas

já vi costumes
já vi abandonos
já vi sorrisos
de lágrimas

já vi o luto
já vi a vida
em que nada faz sentido
nada e pra sempre